RÁDIO CARLOS PITTY

sábado, 22 de março de 2008

Ah que saudade dos tempos de lá!

Ah que saudade dos tempos de lá!
( Carlos Pitty) Dir. Reservados

Manhã fria de inverno.
Levanto-me da cama com a sensação de que estamos com menos de 5 graus.
Com os olhos quase que meio fechados, me espreguiço. Imagino a hora. Talvez próximo das seis da manhã. Confirmo a temperatura e a hora certa ao som do rádio meio de longe...
O locutor diz ao fundo de uma música ponteada de viola...”Bom dia gente, manhã fria desta quarta feira de julho. O céu está nublado, a temperatura baixa. Hoje estamos com menos de 5 graus e o relógio está marcando 5 horas e 56 minutos, vamos acordar gente”.
Os pássaros cantam. Mais parece um festival de passarinhos. Eu ouço os cantos diversos que me soam ao ouvido. Parecem várias músicas em uma única só. O cachorro late, o galo canta, o gado berra e o cavalo rincha.Após lavar o rosto na água fria da torneira, olho pela janela. O cenário é branco. A terra deixou de ser vermelha, o verde da mata sumiu, as plantas ficaram murchas.
A geada fez sua parte...e o sol se teima a sair. Dentro de casa está quente, o fogão a lenha aquece. Papai, mamãe e os irmãos acordaram mais cedo do que eu...já está tudo preparado. O café da manhã já está à mesa. No rádio ouço tocar música sertaneja.
A voz do locutor de linguajar simples e caipira me familiariza. A viola soa como os cantos dos passarinhos. Os raios do sol já ultrapassam as cortinas, ganhando vida, avisando que o tempo passa e os deveres nos chamam.Papai, mais meus irmãos mais velhos vão para a roça, enquanto mamãe ficará cuidando da casa. No rádio, o locutor dita as notícias da manhã, os recados de achados e perdidos, compra e venda. Avisa ainda; que poderá chover.
Já passa das 06:30 da manhã é hora de ir para o trabalho e das crianças irem para escola. E você amiga dona de casa, fique com a gente. Aqui fazemos a sua companhia, o seu amigo de todas as manhãs, e a música sertaneja e caipira bem do jeitinho de nossa gente”.
Se pode chover, mamãe diz que tenho que me agasalhar bem. E ao rumo da escola me vou.
Sigo meu caminho, sigo o meu som. Hoje fico a lembrar dos tempos de outrora, do trabalho do campo, dos amigos de escola. Do fogão a lenha, do canto dos bichos e do ponteio da viola...O tempo passou e esse já mais voltará...
Ah que saudade que eu tenho dos tempos de lá!