RÁDIO CARLOS PITTY

segunda-feira, 7 de julho de 2008

CRÔNICA - LÁ NO SERTÃO...

LÁ NO SERTÃO...
Por Carlos Pitty – Direitos Reservados

Lá pra riba de lá! Certamente diria o caipira. E pelas ribas de cá falo eu. Hoje quero “prosiá” sobre o sertão. Por esses cantos onde o bicho canta, onde tudo se vive na simplicidade e o rio desce ribeira abaixo. Nestes cantos tem sempre um caipira apaixonado, que depois da lida, troca versos para a cabocla, no ponteio da viola, rimando sertão com coração.
De principio quando se fala em sertão, logo se lembra o nordeste brasileiro, região de clima semi-árido. Porém, sertão é todo aquele lugar distante da região urbana, onde se vive no campo, na agricultura, na simplicidade ou mesmo com toda a modernidade e tecnologia hoje existente, nem por isso deixa de ser sertão.
O sertão no Brasil, ou seja, a região interiorana, começou por volta do século XVI com o deslocamento da criação do gado no litoral devido as lavouras e plantio da cana de açúcar, seguindo ao interior do país, formando assim, povoados, comunidades e novas cidades interioranas. E é neste lugar que se aprecia o verde, a natureza e ainda a sanfona e a viola, enfim, a música sertaneja. Hoje, graças a Deus, podemos dizer que a música sertaneja não é apenas apreciada no campo ou no sertão. A música sertaneja é interiorana sim, mas também é urbana.
E desse sertão já saíram vários caboclos, caipiras, cantores e compositores, que criaram várias modas de viola, dezenas de canções falando do sertão! Quem já não ouviu o clássico caipira: “foi lá pro sertão de Goiás” do tema “Chico Mineiro”, ou ainda “luar como este do sertão” com Chitãozinho e Xororó, mas que também já foi gravado por Jair Rodrigues, Zezé di Camargo e Luciano entre outros.
O sertão está aqui, está ali. Tem sertão vazio ferido por golpes fatais, com Tião Carreiro e Paraíso, tem o sertão onde é lindo o “amanhecê” com Tonico e Tinoco. Tem até Deus e eu no sertão com Victor e Léo. “Nunca vi ninguém viver tão feliz como eu no sertão!”
Por estes lados tem cabocla Tereza, tem boi Brasino, tem rio Piracicabano, tem luar, tem alvorecer, tem despertar, tem casinha, tem casebre, tem menino, tem berrante, tem ribeira, tem viola, tem violeiro, tem o canto do passarinho, tem porteira, estradinha, tem fogão de lenha, tem amor, tem paixão, sertaneja do sertão. E por esses cantos eu não me canso de “passeá”, onde o caipira vive na alegria, onde para todo o sempre o sertão irá ficar!


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