segunda-feira, 30 de junho de 2008

POESIA - SABOR DE FLOR

SABOR DE FLOR
(Carlos Pitty) Direitos reservados

Flor da vida, flor do amor,
Flor já vivida, flor sabor de flor,

Flor da alegria, flor da paixão
Flor que contagia, flor do coração

Flor do campo, flor da terra
Flor do encanto, flor da serra

Flor de rosa, flor de espinho
Flor de prosa, flor de carinho

Flor do canto, flor do dia
Flor do acalanto, flor da melodia

Flor de melancolia, flor ardente
Flor que contagia, flor doente

Flor que gira, flor parada
Flor de saída, flor de chegada

Flor de perfume, flor calada
Flor de volume, flor amada

Flor que leva, flor que traz
Flor que eleva, flor que faz

Flor pequena, flor da felicidade
Flor serena, flor da mocidade

Flor de primavera, flor da estação
Flor que venera, flor de emoção

Flor amarela, flor de olhar
Flor de aquarela, flor de tocar

Flor de grandeza, flor de cheiro
Flor de beleza, flor de beijoqueiro

Flor de menina, flor de mulher
Flor de qualquer cor, flor que você quiser

sexta-feira, 27 de junho de 2008

POESIA - PESCADOR

PESCADOR
Carlos Pitty – Direitos Reservados

Na calmaria da lagoa
Lá está o aventureiro pescador
De barco ou de canoa
Remando, remando, remador

Do pescado vem o sustento
À Deus se agradece por isso tudo
Só tem peixe no riacho
Lambari, bagre e até cascudo

Não tem tempestade que te cale
Nem a maior ventania que te segure
Pescar é o teu trabalho
Nem tem preguiça que ao mar não te empurre

E é verdade, disse o pescador
Pegou piranha, pegou um pintado
Na vara pendura um sonhador
Que se vai pelo ribeirão magestoso e calado

Pescador se avante pelas águas
E conta tua história já vivida
Na rede joga as tuas mágoas
Pois pescar é paixão, é a tua vida!



POESIA EM HOMENAGEM AO DIA DO PESCADOR - 29 DE JUNHO
FOTO: Autor Desconhecido - Direitos Reservados

quarta-feira, 18 de junho de 2008

POESIA - DIAS LONGOS DE INVERNO


DIAS LONGOS DE INVERNO
Carlos Pitty – Direitos Reservados

Outono se foi,
Inverno chegou,
O frio bate a porta,
É junho e a estação se acomoda
Dias nublados
Galhos secos fantasiam o cenário
A serra ficou branca
A geada secou o campo
O vento sopra forte do sul
O fogão de lenha é charme na varanda
O fogo teima em esquentar
A fumaça sai da chaminé
A mata se esconde na neblina
Até neve há de cair
O casaco de pele esquenta a dama
O cachecol protege o doutor
O cão pastor tem preguiça de latir
O neném se aquece com o choro
Tem gente com preguiça de acordar
A bica de água está congelada
O sol se esconde no horizonte
Nem o relógio quer trabalhar
A cama fica mais quente
No aconchego da lareira
Lá se vão
Dias longos de inverno...


FOTO: Direitos Reservados do Autor

quarta-feira, 11 de junho de 2008

POESIA - EU E VOCÊ, ENAMORADOS

EU E VOCÊ, ENAMORADOS
(Carlos Pitty) Direitos Reservados

Quero ser seu namorado
Para escrever cartas, palavras e canções
Seremos uma poesia só
Para todo o sempre, só emoções

Quero que seja minha namorada
No seu colo quero estremecer
Sentir o puxar do cabelo ao ninar
O toque que faz me acender

Quero ser seu namorado
Contigo quero viver o paraíso
Juntos viver o prazer, chegar ao ápice
Fazer então loucuras até perder o juízo

Quero que seja minha namorada
Minha amada, fada minha, coisa de paixão
Em beijos seremos um só
Duas batidas, um só coração

Quero que seja minha namorada
Ser meu calendário a seguir
Minha fome, minha sede
Poder degustar você, te sentir

Quero ser seu namorado
Ser a brisa, o verde, o sol
Ser o dia, ser a noite, ser seu
Que mais poderia ser...

Quero que seja minha namorada
Minha fonte maior de inspiração
Meu mel, meu céu, meu sal
Mas, que seja você então!

Quero ser seu namorado
Para contar magias e segredos
Você em minhas mãos
Que fariam os dedos então?

Quero ser seu namorado
Seu certo, seu erro, seu ser
Ser o clima, ser o tempo
Momentos de pecado e prazer

Quero que seja minha namorada
Minha metade, meu tudo, meu mundo
Minhas horas, meus segundos
Eu e você, para sempre enamorados!



*POESIA EM HOMENAGEM AO DIA DOS NAMORADOS. COMEMORAÇÃO NO BRASIL, DIA 12 DE JUNHO.

FOTO: Direitos reservados ao autor.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

CRÔNICA - VIOLA, CAIPIRISMO E BRASIL

VIOLA, CAIPIRISMO E BRASIL
(Carlos Pitty) Direitos reservados

Chora viola!
A música caipira, com a “cara” do Brasil encerra em si sentimentos ao mesmo tempo tristes e alegres, buscando expressões do mais simples e ingênuo até a malicia e irreverência do homem do campo que com respeito busca suas origens e explode trazendo o dia-a-dia, sonhos e vivência de amores, encontros e desencontros na mais pura emoção da canção. Em momentos suas histórias cantadas nos fazem lembrar do teatro trágico grego ou ainda shakesperiano, onde desencontros amorosos, por exemplo, terminam em tragédia.
A viola tocada com emoção, muitas vezes sem técnica ou tecnologia, é o canto emocionado do homem da terra que dela tira seu sustento e sua força, sua nostalgia, inquietude e expressões que revelam a imensidão de sua alma.
É no ponteado que se refletem as batidas de seu coração e registram sua espontaneidade de alma pura e simples de homem, que usa seus sentimentos como bússola para orientar seus hábitos, costumes e colheitas.
Os versos cadenciados em oito silabas, rimando linhas pares, fizeram clássicos da música caipira e chegaram aqui nas primeiras caravelas, passando pela mestiçagem dos indígenas e africanos, ajudando a criar formas peculiares de cantos e danças como o cateretê e a catira, à toada e a melodia lânguida, juntou-se o pagode, ritmo mais recente criado pelo saudoso Tião Carreiro, e a moda de viola, fábula novelesca de uma literatura musicada que traz histórias de irmãos, amigos, amantes, crenças e descrenças e especialmente amores, desamores; venturas e desventuras de seres buscando serem felizes, valorizando cada objeto, animal, nossa cultura, nossa gente.
A moda caipira pode ser considerada branca nas formas, apesar de rica das rimas e também africana, indígena e européia, trazendo e misturando pensamentos, cultura e afetos de costumes e sentimentos do sertão.
Nos campos e cidades, com a nostalgia que traz os males e a dança que traz os pares, a música raiz, valoriza as origens de cada um de nós.
Explícito ou escondido nos recônditos das entrelinhas, fala de vazio, religiosidade, cultura regional, saudade, dores e amores, pulsando sabedoria nas mais simples expressões.
Na música caipira de raiz, quem tem voz é o caboclo nativo e seus inúmeros filhos que intuitivos, sonhadores, místicos, crentes, dão verdadeiras lições de vida e sapiência, mesmo que sem conhecer profundamente a leitura e a escrita. Por instinto lêem os sinais da natureza, interpretando a voz e a vontade de Deus.
Nas asas da tradição, o caipirismo canta querências e os saberes, poetizando a vida e as experiências vividas com simplicidade trazendo o linguajar característico regionalista.
Chora viola! E que teu pranto seja um grito de respeito às tradições, lembranças das conversas no alpendre, do café cheirando no fogão a lenha e do calor da emoção ao se contar e ouvir histórias quando havia tempo para o “ser” e não para o “ter”.

FOTO: Direitos Reservados do autor


POESIA - FILOMENA FILÓ

FILOMENA FILÓ
(Carlos Pitty) Direitos Reservados

Que alegria tem essa grande mulher?
Que sorriso envia essa mulher pequena...
Uma bravura mostra a quem quiser
Uma arte humana assinada Filomena

Contagia o mundo por onde passa
Deleta a tristeza sem dó
Brinca que nem criança
Uma criança chamada Filó

Teu retrato é sempre visualizado
Cenário que sempre vale a pena
Uma simpatia que não se compara
Como não olhar a Filomena?

Podem existir vários 50 anos
Neste mundo que tudo acaba em pó
Nem tudo será eterno
Nada será igual à Filó

A energia está na vida
Com a ternura de Maria Madalena
Não precisa viajar kilômetros
Apenas conhecer à Filomena

Tem um encanto tropical
Beleza que não fica só
Passem tempos, passem anos
Mas que seja igual à Filomena Filó


FOTO: Inimaginária - Direitos reservados do autor.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

POESIA: MUNDO NOBRE DE CORAÇÃO POBRE

MUNDO NOBRE DE CORAÇÃO POBRE
(Carlos Pitty) Direitos reservados

Hoje fico a pensar
De onde vem tanta pobreza?
De males que conduzem a terra
Que tanta arrogância tem a nobreza?

Ser de cor é preconceito
Ser de raça não prevalece a educação
O planeta está de ponta cabeça
Por que tamanha indignação?

A guerra dominou o mundo
Se luta por terra, água e fortaleza
Pobre do ser que sente-se incapaz
Que vive sem armas, somente com delicadeza

Hoje, que mundo é este?
Por que grande é a sombra em nossa sociedade?
O que falta não é poder
É apenas falta de oportunidade

Carcaças e alimentos jogados ao chão
Mundo global de tamanha plenitude
De fortunas, imensidões ao montes
De covarde e branda atitude

A arma do pobre é a glória
Vive na sede de vencer
Crianças pobres e inocentes
Morrem de fome sem ao menos crescer

Sonhos são jogados na esquina
Meninos e meninas esbarram-se no farol
Vivem no medo escuro do tempo
Como iscas jogadas ao anzol

Só resta o desejo de um sonho
Matar a gana da compaixão
De um mundo materialista
Onde o vírus do ódio ataca sem perdão

Que o falar não tenha um idioma
Que o lugar seja para todos um igual
Que o preto e o branco seja colorido
E a justiça para todos seja um ideal

Que tempos melhores possam vir
Venham dias de brilho, aconchego e calor
Que o futuro seja mais do que verdadeiro
Que seja nada, nada além do que amor!


FOTO: Direitos reservados do autor


POESIA - CARRO DE BOI

CARRO DE BOI
(Carlos Pitty) Direitos reservados

Lá vai o carro de boi
Berrando, carga e boiada
E guiando vai o peão
Fazendo fumaça de poeira na estrada

A boiada puxa o carro
Já passou a tapera do seu João
Horizonte se vê a frente
Pelos morros que se “espaia” no sertão

O boi Brazino é teimoso
Tinhoso amontoa marcas pelo chão
Na roça o dia empalidece
Já tá cansado o boi Brasão

Da roça se leva milho
Carrega-se arroz, trigo e feijão
Ruído é o som do carreiro
Que eco faz pelo rincão

O peão conduz a carroça
Em um andar sempre devagar
Pelo tanto que “trabaiô” os bois
A colheita sempre a carrear

Carro de boi valente
Anda beirando a mata queimada
Vê-se ao longe o campo verde
Verdes campos que pouco sobra à beira da estrada

O peão chega ao rancho
Com cheiro de cinza do queimado
Carregando terra suja na enxada
Cansado como um rio acurvado

Na terra vermelha pisa o boi
O peão mira a lagoa
Que está perto da mata
Ouvindo o som do passarinho que ecoa

Ao longe, berrante pia na mata
Segue o canto do canarinho
Adiante se vê a tapera
Assobia sabiá no ninho

Carro de boi passou a porteira
“Ficô pra trais” a invernada
E o dia do caipira acaba
Nos braços da cabocla amada...


FOTO: Direitos reservados do autor - http://telasecores.arteblog.com.br/7413/CARRO-DE-BOI/