RÁDIO CARLOS PITTY

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

POESIA - JOÃO DO SERTÃO

JOÃO DO SERTÃO
(Carlos Pitty) – DIREITOS RESERVADOS

“Minha casa”, certamente falaria o João,
Na simplicidade, no pedaço de chão,
A melhor casa teria, então!
O João, de barro...
Casa, casinha, casebre, casarão,
Muitos hão de sonhar,
Muitos gostariam de estar,
Na velhinha casinha do João.
Tapera com cerca de arame,
Tem ali um telhado judiado,
Com gotas de chuva que correm,
No derramar do riacho calado ao lado.
Na madeira que faz o cercado,
Assim é o contente, do lar soberano.
Saberia dizer o João.
Em palavras criadas em vertentes,
Como a palmeira que preenche,
O pantanal pequeno de sonhos.
O tico-tico canta ali,
O beija-flor consolida a primavera.
Quem vizinha a casa do João
Seria, então,
Algum sonhador do castelo.
Com um céu que não seja azul, mas amarelo,
A par da verde mata.
Pobre rico cidadão da selva de pedra,
Nem que tenha todo conforto em imensidão,
Nem assim viveria com alegria que tem o João do sertão.


FOTO: LEONICE LOVO