RÁDIO CARLOS PITTY

quinta-feira, 4 de abril de 2013

CRÔNICA SERTANEJA ESCRITA POR CARLOS PITTY


CRÔNICA SERTANEJA

 “POBRE TIÃO TÁ SE VIRANDO NO CAIXÃO” 

Por: Carlos Pitty – Dir. Reservados.


 Um sertanejo de verdade valoriza suas raízes.
Um caipira sem rodeios encanta-se com a “simplesinha”
 imagem que transmite o som do coração!
Tião Carreiro, mestre da viola e violeiro, em sua canção citou:
Tem gente que não gosta da classe de violeiro,
no braço desta viola defendo meus companheiros.
Pra destruir nossa classe tem que me matar primeiro!

Tião velho carreiro, hoje está ponteando a viola, no lado de lá...graças a Deus!
Talvez aqui, pobre Tião iria perder o tom...
Talvez se sentisse envergonhado, com o que acontece com o sertanejo.
Aqui desse lado. Muitas estrelas de hoje, são maiores do que o próprio céu...
Nem conhecem o Carreiro, minimizam o verdadeiro sertanejo do Tião.
E assim a classe se mata, se desrespeita. “Tchu tchá, tchê tchê, Bará, bará, berê, berê”
 O que antes a letra fazia pensar, hoje parece criança querendo aprender.
“Tadinho” do Tião tá se virando no caixão!
Antes se valorizava o talento do violeiro...
Hoje quem resolve é o “apareio” e o que importa é o dinheiro.
Nem ao menos pode seguir o que de diz o tom? Mas sem dom...
Pobre alma do ouvido do povo. Talvez depois do velho venha o novo.
 Aceita o que vem.
O que é que tem? O mercado manda, se paga. Escuta-se. De que é a culpa?
Da mãe...., pois está na balada. Nossa, nossa, assim desse jeito, a gente se mata.
Que vergonha!
Meu caro, ausente Renato Russo, desculpas, escuridão já vi pior...
“Quem acredita sempre alcança...” Mas tem gente enganando a gente.
Ainda bem que não está aqui para ver, ou ouvir, pois: tem gente vendendo história...
Gato por lebre, é história de pescador. Mas que pescar que nada,
O lance é universitário na balada. Festa na piscina, no apê...
O beijo, é um caso de amor. Estão até confundindo pé de couve com flor.
 Sábio Tião, realmente o mundo tá perdido. Quero te avisar, que nem adianta mais,
Que o som da viola, morreu...
A moda não é mais chapéu, é cabelo com gel, total.
A imagem do som, não é mais sobre a natureza,
Mas sim a beleza, de uma mulher, bumbum qualquer...
Nem precisa ser fruta... Basta a letra combinar com tuta.
O Rei de toda a música ainda fala da mulher com seu valor.
 O sertanejo de hoje, esnoba a mulher com pudor.
Se joga, se xinga.
E até chama-a de bandida.
Pior, Tião! E não é que ela nem liga? O mundo ‘véio’ tá perdido,
Sem porteira, se aceita tudo.
Até besteira. Dizia o Chitãozinho e o Xororó :
“Eu não troco o meu ranchinho ‘marradinho’ de cipó ‘
Pruma’ casa na cidade, nem que seja bangalô.”

Hoje se troca tudo, Qualquer valor tem:
Carros, Camaros, Dogde Ram ou Citroem.
E isso vai de norte a sul. Do Oiapoque ao Chuí,
esse é o valor que a mulher tem.
Em plena sexta feira, tentando se distrair, fazem: Lê, lê, lê, pi, ri, ri.
 Realmente:
A mulher tá pequena O valor custa até menos que um Red Label ou Bull.
Antes o Zezé brilhantemente falava que: Não negava que era louco por alguém, E hoje?
 Pro “cê vê” que o trem inovô, até pro avô¸ pra avó. Se canta que tá estourado.
E advinha o que diz as letras? Falando da viola? Que nada Tião.
É mulher para todo lado.
Tião hoje o sertanejo tá mudado.
Ou é coitado ou é garanhão. Se não pega, bate. Se não come, xinga.
Ou o homem tá pegando tudo, ou a mulher é que tá “facinha” demais.
O que seria “bão”? Deus e eu no sertão!
O fato é que: Até hoje, no meio do povo alguém diz:
Toca Raul! Tente outra vez...
Não diga que a canção está perdida...
Tião, pior é que tá. Tem que ter fé em Deus!
Por qualquer trocado se tem que cantar.
A bebida é paga do lugar. A foto se tira no espelho direto “pro” facebook,
O que importa é o look.
Qualquer um poder ficar doce doce.... Até mesmo com uma Fiorino.
Pode ser na Casa até 'das prima’.
Eh! velho Carreiro, Sábias foram suas palavras,
que a coisa já andava preta
Quem não era filho de Deus,
tava na unha do capeta!!!
Esteja em paz velho Carreiro,
Porque o sertanejo por aqui....
Só por Deus!